45 anos depois, o bombardeiro B-1B continua cumprindo sua missão

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Um bombardeiro da Força Aérea dos EUA B-1B realizou uma maratona de 30 horas, voando de Dakota do Sul para o Japão, ida e volta. A missão faz parte de uma mudança de pensamento da Força Aérea Americana, passando a preferir que seus bombardeiros decolem de bases nos EUA e façam voos longos, do que colocá-los em bases aéreas vulneráveis no exterior.

De acordo com informações da Flightglobal, o B-1B “Bone” (literalmente, “B-One”) do 37º Esquadrão de Bombardeio decolou da Base da Força Aérea de Ellsworth, em Dakota do Sul, e voou pelo Pacífico até o norte do Japão. O bombardeiro se reuniu em voo com seis caças F-16 da Base Aérea de Misawa e um total de 45 caças F-15J e F-2 da Força Aérea do Japão.

Uma vez no Japão, o B-1B fez uma visita ao estande de treinamento de Mughwa em Draughon, mas a Força Aérea não divulgou se o B-1B empregou ou não algum material bélico. Parece um tanto quanto improvável que um bombardeiro estratégico pesado tenha voado mais de dez horas até um estande de treinamento e não tenha lançado armamento algum. Após a passagem pelo Japão, o B-1B voltou a Ellsworth, completando a missão de 30 horas.

O voo ocorreu poucos dias após o término da missão Continuos Bomber Presence, onde os grandes bombardeiros marcaram presença na Base Aérea de Andersen, em Guam. Uma missão semelhante aos Emirados Árabes Unidos também está terminando. A Força Aérea diz que está mudando para uma maneira menos previsível de mostrar sua força, posicionando os bombardeiros nos Estados Unidos e depois enviando-os em longos voos para o exterior.

Além disto, esta decisão de trazer os bombardeiros para dentro do território americano, elimina a possibilidade de se tornarem alvos em bases avançadas como a de Andersen, uma preocupação particular após o ataque de mísseis balísticos do Irã em janeiro às tropas dos EUA estacionadas no Iraque.

Em 2017, o B-1B fez um voo em formação com outras aeronaves americanas e sul-coreanas, num exercício na península da Coreia.

O B-1B foi originalmente desenvolvido para ser o bombardeiro estratégico dos Estados Unidos, penetrando no território soviético voando a baixa altura, a altas velocidades e carregando bombas nucleares. Ele entrou em serviço na década de 80, mas nos anos 2000, já com a Guerra Fria terminada, passou a executar missões convencionais, assim como seu primo mais velho, o B-52, que também começou a ser empregado em missões de Apoio Aéreo Aproximado (CAS) no Afeganistão, dando suporte as tropas no solo.

Sua tripulação é composta por quatro tripulantes, com as funções de pilotar a aeronave e operar seus sistemas de armamentos. O Lancer também foi desenvolvido para ser invisível aos radares, podendo atingir a velocidade de Mach 1.2. O seu compartimento interno foi desenvolvido para carregar até 24 bombas de 2000 lb, assim como 24 mísseis ar-solo (JASSM), os quais foram empregados pelos bombardeiros durante um ataque as fábricas de armas químicas na Síria em abril de 2018.

O Lancer é tripulado por 4 membros, como visto nesta foto de 2017 na Base da RAF de Fairford.

Outro grande potencial bélico do B-1B são os mísseis anti-navios LRASM, capazes de serem lançados fora do alcance das defesas antiaéreas de qualquer frota naval. Por fim, o B-1B esta sendo homologado para carregar até 31 mísseis hipersônicos Arrow AGM-183. Estes mísseis poderão ser carregados no compartimento interno e em pontos duros sob as asas. O Arrow é conhecido nos EUA como “Boost Glide”, pelo fato de possuir um motor foguete que o impulsiona para altas altitudes, acelerando a Mach 20 como se fosse um foguete espacial. Já próximo de deixar a atmosfera, o motor para de acelerar e o míssil passa a usar somente a inércia para se dirigir até o alvo.

O conceito de emprego deste míssil é utilizá-lo para neutralizar as defesas antiaéreas do inimigo, o que permitiria que outras aeronaves viessem em ondas posteriores, realizando os ataques mais cirúrgicos contra os centros de gravidade (CG) do oponente.

A Força Aérea pretende manter, pelo menos, um esquadrão de Lancer capacitado para empregar estes mísseis, já que há a expectativa de se substituir toda a frota pelo novo bombardeiro B-21 Raider a partir do final da década de 2020.

Durante a Guerra do Afeganistão, os B-1B foram maciçamente empregados em ações de suporte as tropas amigas no solo, o que, inevitavelmente, causou uma maior sobrecarga na sua estrutura, já que estas missões são voadas em altitudes medianas. Com sua capacidade de permanecer on station por mais tempo e ser capaz de lançar bombas de precisão, o Lancer acabou caindo nas graças das tropas, sendo bastante requisitado durante os avanços das equipes de infantaria.

Um B-1B lançando um flare durante suas ações de CAS no Afeganistão.

O resultado de tudo isto foi a proibição, no final de 2019, de voos a baixa altura, uma medida que visa poupar as células existentes, mantendo-as voando até meados da década de 2030. No entanto, esta restrição retira do conceito de emprego do B-1B a penetração a baixa altura em território inimigo, o que para alguns especialistas, não seria uma grande perda, visto que atualmente, cada vez mais, esta tática não está mais sendo utilizada. As aeronaves estão cada vez mais fazendo uso de armamentos standoff ou fazendo uso de interferidores eletrônicos para evitar serem detectados ou engajados pelos sistemas antiaéreos inimigos.

Atualmente, das 100 células originais, apenas 62 estão em condições de voo. Como o bombardeiro foi produzido na década de 80, está sendo uma verdadeira jornada para a logística manter o projeto voando, já que diversas peças já não são mais fabricadas. Com isso, existe a intenção de retirar do voo mais 15 aeronaves, dentre as células mais fatigadas, de forma a serem desmontados para servirem de peças de reposição para o restante da frota.

Alguns B-1B retirados de serviço e canibalizados para dar suporte ao restante da frota.

O problema de logística também acaba afetando diretamente as tripulações do Lancer, que, para manter suas rotinas de voo, algumas estão sendo alocadas temporariamente em outros projetos.

O chefe do Comando de Ataque Global da Força Aérea informou no início deste ano que a força de B-1B estava sendo empregada mais e mais, com até 25 aeronaves por dia, o que nos leva a afirmar que o B-1B voará por mais uma década, mas até lá, há muito para se manter os velhos bombardeiros em condições de voo, além de os manterem ocupados.

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