Novos motores garantirão que os B-52 voem até os 100 anos de idade

0

Na véspera de Natal de 1972, enquanto famílias de todo o mundo se preparavam para um dia de comemoração, a tripulação do bombardeiro B-52D “Diamond Lil” se preparava para algo completamente diferente.

Eles foram escalados para cumprir a perigosa missão de bombardear os pátios ferroviários do Vietnã do Norte em Thai Nguyen. Sua missão fazia parte da Operação Linebacker II. Na época, os B-52, de quase 20 anos, estavam acostumados a voar em missões de bombardeio sem uma escolta de caça, preferindo confiar em seus artilheiros operando metralhadoras de calibre .50 na causa das aeronaves para se proteger das aeronaves vietnamitas.

Quando a missão começou, o Sgt Albert Moore assumiu sua posição de artilheiro na cauda do bombardeiro e começou a observar o céu em busca de aeronaves inimigas. Não tardou muito para identificar um MiG-21 que vinha para interceptar o seu bombardeiro. “Eu observei um alvo no radar às 8:30, mais baixo e a 8 milhas”, escreveu ele seis dias depois. “Eu imediatamente notifiquei a tripulação, a medida que o MiG-21 se aproximava rapidamente. Ele estabilizou a 4.000 jardas, numa posição às 6h. Então, mandei o piloto fazer ações evasivas e pedi para o EWO (oficial de guerra eletrônica) que lançasse Chaff e Flares.”

O MiG-21 vietnamita era quase tão antigo quanto o Diamond Lil, mas tinha mais do que o dobro da velocidade, era extremamente manobrável, podia ser armado com um único canhão automático de 23 mm e ser carregado com até 2.000 libras de armamento sob as asas. Mais de 30 Stratofortresses B-52 foram perdidas em combate durante a Guerra do Vietnã e, à medida que o MiG vietnamita continuava se aproximando do Diamond Lil, havia grandes chances de que ele fosse adicionado à lista. “Quando o alvo chegou a 2.000 jardas, informei a tripulação que iria começar a atirar”, contou Moore. “Gastei 800 projéteis em três rajadas.”

A vitória de Moore foi confirmada pelo Sgt Clarence Chute, um outro artilheiro abordo de outro B-52. “Assisti a todo aquele combate e vi o avião vietnamita pegando fogo e caindo”, escreveu Chute. “Várias partes da aeronave explodiram e a bola de fogo desapareceu às 6h do meu avião”.

Os B-52H vem sendo empregado em bombardeiros convencionais, com sua principal participação tendo acontecido durante a Guerra do Vietnã.

Moore entraria na história como não apenas o segundo artilheiro de cauda de B-52 a obter uma vitória aérea sobre um MiG, mas também como o último artilheiro da história americana a derrubar um caça inimigo. Essa história é apenas um momento na história operacional do poderoso B-52, uma aeronave com uma vida útil que provavelmente se estenderá por um século inteiro.

A frota americana de pesados bombardeiros estratégicos ​​B-52H da Força Aérea está a caminho de se tornar centenária. A USAF deseja comprar mais de 600 novos motores para seus B-52, garantindo que o BUFF (Big Ugly Fat Fella) possa voar até 2050 ou mais. Isso praticamente garantirá que alguns dos bombardeiros, entregues no início dos anos 60, ainda estejam lançando bombas no início dos anos 2060.

A frota de bombardeiros B-52H da Força Aérea é o último dos 744 bombardeiros B-52 construídos durante a Guerra Fria. 75 dos modelos -H ainda estão voando, divididos entre 57 unidades na Força Aérea e outros 18 na Reserva da Força Aérea. Os pesados aviões foram entregues entre maio de 1961 e outubro de 1962.

Originalmente concebido como um bombardeiro nuclear, o conjunto de missões do B-52H se expandiu ao longo das décadas para incluir, como descrito, “ataque estratégico (nuclear), apoio aéreo próximo, interdição aérea, operações antiaéreas e marítimas ofensivas “.

Os motores que equipam os B-52 são os mesmos desde a década de 60, quando entraram em operação.

A versatilidade do B-52 o torna inestimável para a moderna Força Aérea, que está determinada a mantê-lo voando o maior tempo possível. Ele pode transportar até 70.000 libras de bombas guiadas a laser, bombas guiadas por GPS e bombas não guiadas, além do míssil de cruzeiro JASSM e da série Quickstrike de minas navais. Na missão nuclear, ele carrega o míssil de cruzeiro AGM-86B. O B-52 ultrapassará os bombardeiros furtivos B-1B Lancer e B-2 Spirit, graças aos planos de trocar seus antigos motores por versões mais poderosas e eficientes.

Cada B-52 está equipado com oito motores Pratt & Whitney TF33-PW-103 desde que foram entregues no início dos anos 1960. Os TF33 foram baseados nos motores comerciais JT3D que equiparam os Boeing 707 e o Douglas DC-8. Estes motores dão aos bombardeiros um alcance de combate, sem reabastecimento em voo, de 8.800 nm, mas sua tecnologia tem mais de meio século, o que inclusive, garante ao B-52H a sua particular fumaça. De lá para cá, a tecnologia do Turbofan já percorreu um longo caminho, surgindo motores mais potentes e econômicos disponíveis nos dias de hoje. Grande parte dessa inovação foi impulsionada pelo setor das empresas de linhas aéreas comerciais.

A fumaça expelida pelos seus 8 motores já se tornou a marca registrada dos B-52H.

O rascunho da Solicitação de Proposta (RFP) foi a maneira da Força Aérea perguntar à indústria quais opções de motores ela possui para o B-52. O site da Flight Global teve acesso a lista, que inclui motores da Pratt & Whitney (novamente), Rolls-Royce e GE. A Força Aérea quer que os novos motores sejam mais silenciosos e mais baratos para operar.

O modelo CF34-10, que é utilizado pelas aeronaves comerciais da Bombardier e pelos jatos regionais da Embraer, e o modelo Passport Turbofans, que equipa o jato comercial Global 7500 da Bombardier são as duas apostas da GE Aviation para ganhar a concorrência.

Já a Pratt & Whitney pretende participar da disputa com o PW800, que equipa as aeronaves Gulfstream G500 e G600. Por sua vez, a Rolls-Royce planeja oferecer o F130, uma versão militar do modelo BR700, que também está presente em algumas aeronaves da família Gulfstream.

Embora seus 8 motores lhe rendam uma excelente performance, os americanos estão em busca de, principalmente, maiores eficiências de combustíveis.

O principal requisito, no entanto, é a eficiência de combustível. De acordo ainda com a Flight Global, a Força Aérea não necessariamente quer motores mais potentes: o TF33 pode produzir 17.000 libras de empuxo e o objetivo da Força Aérea não é adquirir mais potência. Em vez disso, a Força Aérea quer “maior taxa de desvio e controles digitais do motor”, resultando em uma maior eficiência de combustível, menor ruído, menos emissões e menores custos de operação.

Os novos motores estenderão a faixa de 8.800 nm do B-52 em 20 a 40%, resultando em um novo alcance, sem REVO, de até 12.320 nm. Isto permite ao B-52H voar para qualquer ponto da Terra. A Força Aérea quer que 608 motores sejam entregues num período de 17 anos, o que seria suficiente para manter 76 bombardeiros voando, além de peças de reposição e equipamentos de manutenção.

A substituição de seus motores objetiva lhe render uma sobrevida até, pelo menos, 2050, ou ainda além, o que poderia tornar o BUFF em um avião centenário.

As estruturas dos bombardeiros, apesar de já terem seis décadas de uso, têm “milhares” de horas restantes. Tudo isso se soma a um avião que a Força Aérea acha que pode voar até os anos 2050, quiça por muito mais tempo. Enquanto os bombardeiros pesados ​​não se tornarem caros demais para voar, será concebível que os bombardeiros B-52H possam permanecer em serviço até completar 100 anos de idade.

Leave A Reply