O maior ás da Segunda Guerra Mundial

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Era outubro de 1955. Os sinos tocavam na cidade de Friedland, na Rússia, onde estava abrigado um dos muitos campos montados para receber os últimos prisioneiros de guerra ainda em cativeiro. Trens e mais trens chegavam da União Soviética, com vários ex-soldados alemães que não viam seu país há, pelo menos, dez anos. Tudo era muito bem organizado, onde cada um recebia um número e, quando chamados, recebiam dinheiro, comida e cigarros. Roupas novas eram entregues também e, mais uma vez, estes soldados organizavam-se de acordo com suas patentes.

“Seu nome?”, perguntou a velha senhora com um crachá da Cruz Vermelha. “Hartmann…Erich Hartmann”. Os olhos da mulher olharam por cima dos finos aros de seus óculos e observaram o rosto pálido e magro de um homem ainda jovem, mas que trazia consigo a marca de dez anos de cativeiro russo. “Erich Hartmann, major, aposentado… isso foi há muito tempo… o que é passado é passado”, ele completou. 

“Meu filho sempre falava de um piloto chamado Hartmann. Um com muitas vitórias. Lembrei-me disso assim que li seu nome”. O veterano olhou para a velha senhora: “Eu fui um piloto de caça”. A senhora continuou perguntando se ele não seria o mesmo Hartmann do qual seu filho falava tanto e com quem ele pretendia um dia voar. “Bem, talvez um dia possamos nos falar, não é mesmo?”, ele respondeu. “Meu garoto foi morto pouco antes do fim da guerra”, ela disse, mas, sentindo o embaraço do recém-chegado piloto, ela apressou-se em lhe confortar. “Mas eu estou feliz por ter tido a chance de falar com você. Meu filho me dizia que o senhor era o mais bem-sucedido piloto de todos. E você teve as mais altas condecorações, se não me recordo…”. Ela olhou para o lugar onde, certa vez, o piloto havia ostentado sua Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes. “Sim, acredito que a senhora possa ter razão”.

Erich Hartmann, em 1955, quando foi libertado dos campos de prisioneiros soviéticos.

Erich “Bubi” Hartmann, conhecido como “O Ás dos ases”, foi sem dúvida alguma um dos maiores ases da Segunda Guerra Mundial e de todos os tempos, conseguindo o maior número de vitórias entre todos os pilotos. Possui em seu currículo 352 vitórias confirmadas, sendo 345 delas contra aviões soviéticos e 7 contra os americanos num total de mais de 1.400 surtidas (todas a bordo de um Messerschmitt Bf 109G). Participou de 825 combates aéreos contra aviões inimigos sendo abatido 18 vezes. Por seus êxitos ele foi pessoalmente condecorado por Adolf Hitler com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes.

Em maio de 1945 ele se entregou à Força Aérea americana sendo em seguida transferido para a União Soviética, onde passou dez anos num campo de prisioneiros. Ao retornar à Alemanha (Ocidental) em 1955, ele voltou a servir novamente na recém-formada Luftwaffe.

Nascido em Weissach, Estado de Württemberg, na Alemanha, em 19 de abril de 1922, Erich Hartmann foi um ótimo piloto de planadores na sua adolescência.

Como filho de um médico, dizia-se que ele possuía uma “doença hereditária” cujo tratamento era o voo, já que sua mãe era uma extraordinária aviadora, sendo uma das pioneiras na Alemanha, tendo conseguido seu breve pilotando planadores.

Todo domingo ela podia ser vista sobrevoando o aeródromo de Böblingen com seus dois filhos a bordo. Assim, nada mais natural que o jovem Erich se tornasse um admirador e entusiasta do voo.

Embora tenha, num primeiro momento, tentado seguir a carreira de seu pai, Hartmann abandonou a Faculdade de Medicina e juntou-se à Luftwaffe como um oficial-cadete em outubro de 1940. Ele passaria por um intenso treinamento de quase dois anos, frequentando a Luftkriegsschule II (Escola de Combate Aéreo, até outubro de 1941), assim como a Jagdflieger-Vorschule II (Escola Preparatória de Pilotos de Caça, de outubro de 1941 a fevereiro de 1942) e a Jagdfliegerschule II (Academia de Pilotos de Caça, entre fevereiro e julho de 1942).

Hartmann finalizou sua formação na aviação de caça no final de 1942.

Finalmente, depois de passar pela Ergänzungsgruppe Öst (julho a outubro de 1942), o então Leutnant (tenente) Hartmann foi designado para a sua primeira unidade no front, o 7./JG 52 (7º Staffel da Jagdgeschwader 52), aonde chegou em 10.10.1942.

No dia 25 de outubro de 1942, Hartmann havia acabado de chegar a principal base da III./JG 52 em Maykop, a 225 km a noroeste do Monte Elbrus, no Cáucaso. Subitamente uma voz desesperada ressoou no alto-falante do rádio receptor: “Preparar para a aterrissagem. Fui atingido! Eu já posso ver a pista e tenho que pousar imediatamente!” e segundos depois, “Agora meu motor está em chamas…!” Um brilho avermelhado surgiu no céu, então um Bf 109G apareceu, seguido por uma trilha de fumaça negra. Instantes depois, ele tocou o solo, tombou e explodiu violentamente em chamas. O recém-chegado Leutnant estava pasmo.

“É Krupinski!” gritaram alguns. De repente um homem todo chamuscado, como que saído das chamas do inferno, surge em direção a eles. Parou em frente ao seu Kommodore, Major Dietrich Hrabak, rosto pálido e ferido, mas ainda sorridente: “Fui atingido por alguns tiros da bateria antiaérea inimiga”. “Krupinski, esta noite nós comemoraremos seu aniversário”, disse o Kommodore, e inclinando-se para o jovem Leutnant recém-chegado: “Sempre quando um piloto passa por uma situação difícil, nós comemoramos seu aniversário”. “E quando um piloto é morto?”, perguntou o jovem Hartmann. “Então nós fazemos um brinde em sua homenagem”, respondeu o oficial comandante. Hartmann havia sido introduzido a “família” da aviação de caça e a uma das suas fortes e eternas culturas.

Erich Hartmann ficou sob os cuidados do Leutnant Alfred Grislawski, um veterano do 9º Staffel, conhecido como “Karaya Staffel”, liderado por Hermann Graf. Grislawski era um homem vigoroso, filho de minerador e que alcançou grande sucesso combatendo a Força Aérea vermelha, atingindo, até ser ferido em 1944, a marca de 133 vitórias, pelo que foi condecorado com as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro. Foi ele, algum tempo depois, quem colocou o famoso apelido de “Bubi” no jovem Hartmann.   O início de carreira de Hartmann foi medíocre, comparado ao que ele se tornaria futuramente. Se não fosse pelo seu instrutor e líder, Major Walter Krupinski, Hartmann teria deixado de ser piloto de caça.

Ele chegou a apresentar-se para ser transferido à infantaria devido a sua péssima performance nos primeiros combates aéreos em que participou. Tanto que em seu primeiro confronto contra os aviões soviéticos, o afoito novato quase abateu o seu ala, o Oberfeldwebel (sargento) Edmund Rossmann (detentor da Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro, com 93 vitórias), confundindo-o com um inimigo. Tal fato o levou a ser repreendido furiosamente pelo Gruppenkommandeur (comandante de grupo) Major Hubertus von Bonin. Felizmente para a Luftwaffe, Krupinski, Grislawski e o próprio Rossmann acreditaram em Hartmann e em suas habilidades.

Hartmann desenvolveu a capacidade de aprender rapidamente a cada experiência em combates aéreos, o que lhe tornava cada vez mais e mais mortal.

Sua primeira vitória aconteceu no dia 5 de novembro de 1942, durante sua 19ª missão, diante de um Il-2 Shturmovik da Força Aérea soviética, que explodiu após ser atingido no radiador. Mas, pouco depois, em 07.11.1942, Bubi foi internado com febre amarela, retornando à ativa no início de dezembro.

À esta altura, Hartmann já aprendera que a sobrevivência e vitória no Front russo dependiam de uma única regra: aprender com seus erros e não mais repeti-los. O seu avião, agora, era um dos poderosos Bf 109G – os “Gustav” – que ele voaria nas versões G-4, G-6, G-10 e G-14, sendo esta última a sua preferida. Seguindo uma tradição que remontava à I Guerra Mundial, Hartmann personalizou seu avião, que exibia uma tulipa negra estilizada no nariz e um grande coração na fuselagem (próximo ao cockpit), sob o qual se lia “Karaya” (símbolo do Staffel) e, dentro do qual, havia outro nome: “Ursel”, apelido de Úrsula, sua namorada desde os tempos de colegial.

A marca que Hartmann carregava no seu avião foi uma homenagem a sua futura esposa, Úrsula.

No seu retorno ao combate, Erich Hartmann estava mudado. Conservava toda a coragem e a ousadia do piloto que quase abateu o próprio ala, mas também exibia agora um controle frio e preciso, visão tática e espírito de liderança. Sua segunda vitória viria em 27.01.1943, contra um MiG-1.

Ao encerrar o mês de abril, após ter completado 100 missões de combate, o leme de seu avião já ostentava 11 vitórias e, em 18.5.1943, quando Hartmann tornou-se Staffelkapitän (líder de esquadrão) do 7./JG 52, cumulava 16 vitórias confirmadas, alcançadas durante sua 158ª missão.

Nesse período, Hartmann havia desenvolvido suas próprias táticas de combate, onde se destacava a ousadia de disparar à queima-roupa contra o inimigo, de distâncias nunca superiores a 100 metros, o que literalmente desintegrava o adversário. Com isso, não era raro que o seu avião voltasse dos combates com marcas dos estilhaços de suas vítimas. Como resultado, em pelo menos sete ocasiões, Hartmann foi obrigado a fazer pousos forçados porque os destroços das aeronaves inimigas perfuraram seu radiador e outras partes vitais de seu Gustav.

Seria com o início da batalha de Kursk em 05 de julho de 1943, que sua estrela finalmente brilhou. Nesse dia, ele derrubou nada menos que quatro aviões russos, aos quais somaram-se outros sete em 07.07.1943 e mais quatro no dia seguinte. Ao todo, apenas no mês de julho de 1943, Hartmann derrubaria nada menos que 24 adversários, elevando seu total para 42 vitórias confirmadas.

Mas agora o jovem Hartmann não sabia o que era fracassar. O mês de agosto de 1943 se revelaria fatal para seus adversários, com ele abatendo nada menos que 49 aviões soviéticos, incluindo cinco aviões nos dias 1, 4, 5 e 7 e quatro aeronaves nos dias 3, 8, 9 e 17, a grande maioria sendo caças LaGGs. No final do mês, Hartmann havia acumulado um total de 90 vitórias confirmadas.

Porém, os combates eram sempre arriscados e o jovem Hartmann, cuja fama já havia chegado também ao inimigo, que o chamava de “Diabo Negro da Ucrânia” e colocara um prêmio de 10.000 rublos àquele que o capturasse, vivo ou morto, sabia muito bem disso. Um exemplo do espírito combativo e sangue frio de Hartmann ocorreu em 20.08.1943, durante uma ofensiva soviética em Donezbecken, no leste da Ucrânia.

Em uma de suas missões, Hartmann destruiu dois Il-2, mas os estilhaços do último atingiram seu avião, que, avariado, o forçou a realizar um pouso atrás das linhas russas. Ao avistar soldados soviéticos se aproximando, a fuga seria loucura, já que seria baleado com facilidade. Ele, então, começou a fingir que estava seriamente ferido. Os soldados soviéticos levaram-no para seu quartel-general, onde o conhecimento de medicina o ajudou a enganar até o médico que o examinou. Diante da situação, decidiram levá-lo para um hospital de campanha, mas, no caminho, o caminhão foi atacado por Stukas e Hartmann conseguiu saltar e fugir através de um campo de flores. Perdido na “terra de ninguém” por mais de um dia, ele finalmente conseguiu alcançar as linhas alemãs, onde finalmente se encontrou a salvo.

Após esse episódio, Hartmann conseguiu uma breve pausa nos combates, retornando à frente de batalha no início de setembro. Designado Staffelkapitän do 9./JG 52, sua antiga unidade, ele seria condecorado com o Ehrenpokal em 13.09.1943, e somaria outras 15 vitórias ao seu total de abates nesse mês, incluindo sua 100ª vítima, derrubada no dia 20. Em outubro de 1943, Hartmann derrubaria outros 33 aviões soviéticos.

Hartmann atingiu sua 100 vitória no dia 20.9.43.

Em 29 de outubro de 1943, após abater um LaGG-7 e um P-39 Airacobra sobre Kirovograd, na Ucrânia, suas 147ª e 148ª vítimas, o Leutnant Erich Hartmann foi condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro. Ele permaneceria em licença durante o mês seguinte, retornando ao front em dezembro, quando foi condecorado com a Cruz Germânica em 06.12.1943. Sua 150ª vitória foi alcançada no dia 13 do mesmo mês.

Lutando desesperadamente contra as forças soviéticas cada vez mais numerosas, Hartmann sempre procurava preservar seus homens, colocando-os à frente de suas ambições pessoais. Mesmo assim, seu número de vitórias continuava a subir de modo meteórico. Em 30.01.1944 ele derrubou seis aviões inimigos, chegando a 183 abates confirmados e, no dia 01.02.1944, ele derrubaria outros cinco adversários (suas 186ª a 190ª vítimas).

Em 26 de fevereiro de 1944, nada menos que 10 adversários tombariam sob o fogo de suas armas, com os quais Hartmann atingiu a marca de 202 vitórias confirmadas. Nesse mesmo dia, ele receberia um telegrama de Adolf Hitler informando-o que havia se tornado o 420º soldado alemão a ser agraciado com as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro. Alguns dias mais tarde, ele dirigiu-se ao “Ninho da Águia” de Hitler, sua casa construída nos Alpes bávaros, juntamente com Walter Krupinski, Gerhard Barkhorn e Johannes Wiese para receberem suas condecorações. Pouco depois, em 18.03.1944, Hartmann foi promovido a Oberleutnant (Primeiro Tenente).

Juntamente com Walter Krupinski, Gerhard Barkhorn e Johannes Wiese, Hartmann compareceu ao Ninho da Águia para receber as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro.

Seguiu-se, então a desesperada retirada das forças alemãs da Criméia. Dando apoio às tropas terrestres, a JG 52 viu-se mais uma vez envolvido em inúmeros combates, atuando mais como uma “brigada de incêndio”. Ele chegaria a 217 vitórias confirmadas, derrubando seis adversários no dia 05.05.1944.

Depois disso, Hartmann seria enviado com sua unidade para a Romênia, onde atuaria na defesa dos campos petrolíferos daquele país, contra as incursões da 15ª Força Aérea americana, onde permaneceria até o final de junho de 1944. Enquanto estava nesta localidade, em 04 de junho, Hartmann travou um combate lendário contra os caças de escolta americanos.

Um mês depois, quando contava com 269 vitórias, Erich Hartmann encontraria o Führer mais uma vez, na Wolfs-schänze (A Toca do Lobo), o quartel de Hitler na Frente Oriental em 02.07.1944, para se tornar o 76º homem a ser agraciado com as Espadas da Cruz de Cavaleiro.

Mais uma vez, o mês de agosto se mostraria extremamente bom para Hartmann, que derrubaria nada menos que 29 aviões inimigos, incluídos aí suas 284ª a 291ª vítimas, no dia 23. No dia 24 de agosto, logo após o almoço, Hartmann decolou para enfrentar uma grande formação de caças soviéticos. Em 25 minutos ele abateu 6 aviões inimigos, e mais tarde, 5 caças foram abatidos em 20 minutos, suas 292ª a 302ª vitórias.

Hartmann chegaria a marca de 300 vitórias aéreas, sendo o primeiro piloto a atingir tal marca.

Seus companheiros desenharam um grande número “300” em um bolo, já que o posto de comando, que monitorava as comunicações dos caças, confirmara sua 300ª vitória. Havia se tornado o primeiro homem a atingir esta marca e, um telegrama enviado por Hitler naquela tarde, informava-o que ele havia se tornado o 18º soldado da Alemanha a receber a Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes. Em 01.09.1944, Hartmann foi promovido a Hauptmann (Capitão).

Durante sua licença, em 09 de setembro de 1944, outro acontecimento muito mais relevante para o jovem ás, teve lugar: ele casou-se com a sua noiva Úrsula, tendo como uma de suas testemunhas, o amigo e Major Gerhard Barkhorn, colega da JG 52 e segundo maior ás de todos os tempos. Ele permaneceria até outubro no Erprobungskommando 262 (unidade de ensaio de voo), onde foi treinado para pilotar o revolucionário jato Me 262, mas não veria combate nessa aeronave: em 01.10.1944 ele seria designado Staffelkapitän do 4./JG 52, que seria transferido para a Hungria no final daquele mês. Quando o ano de 1944 chegou ao fim, Erich Hartmann já acumulava um total de 331 vitórias.

Hartmann se casou com Úrsula, sua namorada desde os tempos de colégio.

Nos meses de janeiro e fevereiro de 1945 ele atuaria como Kommandeur (comandante) interino do I./JG 53, onde permaneceria até ser nomeado Kommandeur do I./JG 52, sob comando do veterano Brillantenträger Hermann Graf, localizada na Alta Silésia. Mais uma vez, outro período de treinamento com o Me 262 se seguiria em março de 1945 em Lechfeld, na Alemanha.

Hartmann finalmente atingiria a marca inigualável de 350 vitórias confirmadas em 17 de abril de 1945 e sua 352ª e última vítima, um Yak-9, seria abatida no último dia da guerra, em 08 de maio de 1945, na localidade de Brünn, atual República Tcheca, enquanto o piloto russo fazia acrobacias para comemorar a vitória já anunciada dos Aliados.

Neste dia, Hartmann e Graf receberam ordens de se dirigirem com seus aviões até Dortmund onde deveriam se entregar aos britânicos. Mas eles recusaram, já que em sua base havia cerca de 2.000 familiares dos soldados que serviam na JG 52 e eles não podiam abandoná-los aos russos. Em vez de cumprirem as ordens, eles se entregaram aos americanos da 90ª Divisão Blindada do Exército, estacionados em Pisek, Tchecoslováquia.

Tudo parecia ter dado certo até que, em 25 de maio de 1945, seguindo um acordo firmado entre os aliados, os americanos entregaram todos os alemães sob seus cuidados, inclusive a JG 52 inteira, aos soviéticos.

É lógico que Erich Hartmann receberia um tratamento “especial”. Sua primeira prisão foi um campo de trabalhos forçados próximo à Kirov, onde permaneceu até outubro de 1945. À essa altura, os demais aliados começaram a libertar os seus prisioneiros, mas os soviéticos não tinham esta intenção. Ele passaria por uma dezena de prisões e campos de trabalho forçados, incluindo vários sob o controle da polícia política NKVD, em Ivanovo e Sverdlovsk.

Embora tenha sido convidado várias vezes a atuar como colaborador comunista, Hartmann sempre negou toda e qualquer oferta para trair seus companheiros, o que atraía um ódio ainda maior dos soviéticos. Como resultado, um “julgamento” forjado pelos russos lhe valeram a acusação de crimes de guerra e a condenação a 25 anos de trabalhos forçados.

Finalmente, após uma visita do chanceler alemão Konrad Adenauer à URSS, os soviéticos concordaram em devolver os prisioneiros remanescentes que ainda estavam em seus campos. Assim, em 15 de outubro de 1955, Erich Hartmann era finalmente libertado, após dez anos e meio de cativeiro. Tinha 33 anos e pesava apenas 45 quilos. Só então ficou sabendo que seu primeiro filho, nascido em 1945, não sobreviveu às agruras do pós-guerra e tinha falecido em 1948.

Erich Hartmann foi mantido como prisioneiro pelo governo soviético por 10 anos.

Visitado por vários colegas do tempo de guerra, ele foi convidado a se juntar à nova Luftwaffe. Hartmann que, com a sua idade, não tinha mais chances de iniciar uma nova carreira em outra área, aceitou o convite, embora sem muito entusiasmo.

No outono de 1956, ele foi efetivado como Major e, após passar por um treinamento em bases alemãs e americanas, Hartmann assumiu o comando da JG 71 “Richthofen” – a primeira unidade de caças à jato da Alemanha Ocidental.

Mas Hartmann era um piloto de combate e não um político e acabou se tornando famoso por seus confrontos com superiores que eram “administradores”, ao invés de “soldados”. Embora sua unidade tenha se tornado a melhor de toda a OTAN, devido à sua liderança incontestável, as promoções eram constantemente atrasadas e, enquanto outros ases colegas seus alcançaram o generalato, Hartmann aposentou-se da Luftwaffe em 30 de outubro de 1970, com a patente de Oberst (Coronel). Era, então, o soldado alemão mais condecorado ainda na ativa.

Nos anos seguintes, ele podia ser encontrado no Aeroclube de Herrenberg, onde ministrava gratuitamente aulas de voo. Manteve, assim, uma vida tranquila ao lado da esposa e da filha.

O que fez de Erich Hartmann o “Ás dos Ases” é difícil de dizer. Ele era um notável atirador e soberbo piloto. Porém, outros pilotos possuíam estes mesmos talentos. “Bubi” era conhecido por ser verdadeiramente fantástico em avaliar as perspectivas de um combate iminente. Ele escolhia suas lutas muito sabiamente e somente atacava o inimigo quando as circunstâncias estavam inteiramente a seu favor, sempre deixando uma saída em caso de dificuldades. Durante os anos em que combateu na frente oriental, nunca chegou a perder um ala sequer.



Tendo voado 825 missões de combate, ao longo das quais alcançou 352 vitorias confirmadas (345 aviões soviéticos e cinco norte-americanos) e foi abatido 18 vezes, o maior ás da Luftwaffe e de todos os tempos, o Oberst Erich Hartmann, faleceu de causas naturais em 19 de setembro de 1993, aos 71 anos de idade, em Weilim Schönbuch, na Alemanha.

Erich Hartmann é uma espécie de Deus mitológico na aviação militar mundial. Sua marca de 352 aeronaves abatidas jamais será batida, o que o faz ser um dos pilotos de caça mais conhecidos e admirados da história.

Não a toa, existem diversas obras biográficas que contam suas façanhas aéreas, tentando engajar o leitor na sua célebre vida.

Um destes livros é o Black Tulip: The Life and Myth of Erich Hartmann, the World’s Top Fighter Ace, o escritor Erik Schmidt conta a vida do jovem Hartmann, misturando suas façanhas com a história da própria Alemanha Nazista.

Tabela com as vitórias de Hartmann

No.DATAVÍTIMANo.DATAVÍTIMA
15.11.1942Il-217830.1.1944LaGG
227.1.1943MiG-117930.1.1944LaGG
39.2.1943LaGG-318030.1.1944LaGG
410.2.1943Boston18130.1.1944LaGG
524.3.1943Il-218230.1.1944LaGG
627.3.1943I-1618330.1.1944LaGG
715.4.1943P-3918431.1.1944LaGG
826.4.1943R-518531.1.1944LaGG
928.4.1943LaGG1861.2.1944LaGG
1030.4.1943LaGG1871.2.1944LaGG
1130.4.1943LaGG-31881.2.1944LaGG
127.5.1943LaGG1891.2.1944LaGG
137.5.1943LaGG1901.2.1944LaGG
1411.5.1943LaGG1913.2.1944LaGG
1511.5.1943LaGG1924.2.1944P-39
1615.5.1943U-219326.2.1944P-39
1723.5.1943LaGG19426.2.1944P-39
185.7.1943Il-2 m.H.19526.2.1944P-39
195.7.1943LaGG19626.2.1944P-39
205.7.1943IL-2 m.H.19726.2.1944P-39
215.7.1943LaGG19826.2.1944P-39
227.7.1943Il-219926.2.1944P-39
237.7.1943Il-220026.2.1944P-39
247.7.1943Il-220126.2.1944P-39
257.7.1943LaGG20226.2.1944P-39
267.7.1943LaGG20323.4.1944LaGG
277.7.1943LaGG20424.4.1944LaGG
287.7.1943LaGG20524.4.1944P-39
298.7.1943LaGG20626.4.1944P-39
308.7.1943LaGG20726.4.1944P-39
318.7.1943LaGG2083.5.1944LaGG
328.7.1943LaGG2094.5.1944LaGG
339.7.1943IL-2 m.H.2104.5.1944LaGG
349.7.1943LaGG2114.5.1944LaGG
359.7.1943LaGG2125.5.1944LaGG
3610.7.1943LaGG2135.5.1944LaGG
3711.7.1943LaGG2145.5.1944LaGG
3815.7.1943LaGG2155.5.1944LaGG
3916.7.1943LaGG2165.5.1944LaGG
4017.7.1943LaGG2175.5.1944LaGG
4131.7.1943LaGG2186.5.1944LaGG
4231.7.1943LaGG2197.5.1944P-39
431.8.1943LaGG2207.5.1944P-39
441.8.1943LaGG2217.5.1944P-39
451.8.1943LaGG2228.5.1944LaGG
461.8.1943LaGG2238.5.1944LaGG
471.8.1943LaGG22420.5.1944LaGG-5
483.8.1943LaGG22520.5.1944LaGG-5
493.8.1943LaGG22629.5.1944P-39
503.8.1943LaGG22730.5.1944P-39
513.8.1943LaGG22830.5.1944P-39
524.8.1943LaGG22931.5.1944P-39
534.8.1943LaGG23031.5.1944P-39
544.8.1943LaGG23131.5.1944P-39
554.8.1943LaGG2321.6.1944LaGG
564.8.1943LaGG2331.6.1944LaGG
575.8.1943LaGG2341.6.1944LaGG
585.8.1943LaGG2351.6.1944LaGG
595.8.1943LaGG2361.6.1944P-39
605.8.1943LaGG2371.6.1944LaGG
615.8.1943LaGG2382.6.1944P-39
626.8.1943LaGG2392.6.1944P-39
637.8.1943LaGG2403.6.1944P-39
647.8.1943LaGG2413.6.1944P-39
657.8.1943Pe-22423.6.1944LaGG
667.8.1943LaGG2433.6.1944LaGG
677.8.1943Pe-22444.6.1944P-39
688.8.1943LaGG2454.6.1944LaGG
698.8.1943LaGG2464.6.1944P-39
708.8.1943LaGG2474.6.1944P-39
718.8.1943LaGG2484.6.1944P-39
729.8.1943LaGG2494.6.1944P-39
739.8.1943LaGG2504.6.1944P-39
749.8.1943LaGG2515.6.1944P-39
759.8.1943LaGG2525.6.1944P-39
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