O poderoso trator voador – 15 curiosidades sobre o P-47 Thunderbolt

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Com seu design lustroso, manuseio ágil e alta velocidade, o P-51 norte-americano rapidamente se tornou um símbolo do poder aéreo americano na Segunda Guerra Mundial.

Mas, embora o Mustang tenha ajudado a conquistar o controle dos céus sobre a Europa e o Pacífico, foi menos fascinante do que o Republic P-47 Thunderbolt, o verdadeiro cavalo de batalha da vitória dos Aliados. Apelidado de “Jug” (abreviação de “Juggernaut”, que em alemão é usado para definir coisas largas e brutas) pelos seus pilotos, o P-47 era um pássaro de guerra pesado – e que martelou sem dó seu inimigo.

Mais de 15.600 Thunderbolts foram fabricados entre 1941 e 1945 e serviram em todos os teatros da guerra, realizando uma variedade de missões, desde Escolta de bombardeiros até Apoio Aéreo Aproximado (CAS).  

A seguir, trago alguns fatos surpreendentes sobre este verdadeiro trator voador.

Era originalmente para ser um caça “leve”

O pequeno P-43 Lancer – o precursor do Thunderbolt. (Imagem: WikiCommons)

Concebido pelo designer de aeronaves americano Alexander Kartveli, o avião que acabaria se tornando o P-47 foi originalmente concebido para ser um interceptador leve.

Com base no pequeno P-43 Lancer, que teve atuação limitada no Corpo Aéreo do Exército dos EUA antes de 1941, a empresa Republic esperava desenvolver uma versão melhorada do caça. Mas como a guerra na Europa demonstrou a necessidade de aviões de guerra muito mais robustos, a empresa foi forçada a repensar seus planos.

Os designers logo criaram uma máquina maior e mais robusta: o P-47. Um protótipo do Thunderbolt voou pela primeira vez em 6 de maio de 1941.

Era mais como um tanque voador

O P-47 era um alvo grande, mas robusto o que o tornava um duro oponente em combate. (Imagem: WikiCommons)

O P-47 era um, literalmente, grande avião. Era 1 metro mais largo que o P-51 e quase 1,5 metro mais longo. Pesando mais de 4,5 toneladas vazio, era cerca de 50% mais pesado que o Mustang e tinha quase o dobro do peso do Spitfire britânico.

De fato, junto com o Grumman Avenger de três lugares, o P-47 estava entre os aviões monomotores mais pesados da Segunda Guerra Mundial.

Poderia se mover rápido

Embora grande e pesado, o P-47 está entre os mais rápidos caças da Segunda Guerra. (Imagem: WikiCommons)

Apesar do seu peso considerável, o motor Pratt & Whitney R-2800 Double Wasp de 18 cilindros e 2.600 cavalos de potência (a mesma potência usada pelo Vought Corsair e Grumman Hellcat) permitiu que o pesado Jug acompanhasse o Mustang.

Ambos tinham uma velocidade máxima de cerca de 700 km/h. Enquanto o P-47 podia atingir altitudes superiores a 40.000 pés (12.000 metros), seu alcance de pouco mais de 800 nm (1.300 km) era metade do P-51.

Dono de um soco assassino

As 8 metralhadoras .50 do P-47 eram mortíferas. (Imagem: WikiCommons)

Com quatro metralhadoras de calibre .50 montadas em cada asa, o Thunderbolt podia destruir tanto os aviões de guerra inimigos quanto os alvos terrestres com igual ferocidade. Seus cofres internos lhe davam a capacidade de carregar 3.400 cartuchos (as seis armas do Mustang só podiam carregar 1.800), o que permitia ao P-47 desencadear uma chuva de chumbo por 30 segundos seguidos.

Embora o Jug tenha desvantagem em curvas fechadas comparado aos aviões menores, era mortífero quando mergulhava contra seus inimigos, disparando suas 8 metralhadoras .50. Foi ainda mais eficaz como aeronave de ataque ao solo. Era capaz de transportar até 1.400 Kg de carga externa.

De fato, quando totalmente armado, um P-47 Thunderbolt poderia carregar cerca de metade da carga útil de uma Fortaleza Voadora B-17. Quando equipado com foguetes M8 de 4,5 polegadas, o Jug tinha o poder de fogo igual a uma bateria de obus de 105 mm.

Suportava ser atingido pelo inimigo

Mesmo sofrendo sérios danos em combate, o P-47 conseguia voltar para a sua base. (Imagem: Força Aérea Brasileira)

O P-47 era um avião popular entre os pilotos. Não só era capaz de absorver grande quantidade de impactos, como o cockpit era espaçoso e confortável. Alguns arquivos compararam o assento da aeronave a uma espreguiçadeira.

Além disso, seu canopy em formato de bolhas, que foi adicionado às variantes do modelo D, proporcionou aos aviadores uma maior visibilidade. O recorde do avião não foi nada menos que surpreendente – apenas 0,7% dos Thunderbolts foram perdidos em ação.

P-47 não eram baratos…

No auge da Guerra às fábricas de P-47 fabricavam uma aeronave a cada 2 horas. (imagem: WikiCommons)

As fábricas da Republic Aviation em Long Island, Nova York e Evansville, Indiana, juntamente com uma fábrica de Curtis em Buffalo, montaram 15.600 Thunderbolts entre 1942 e 1945 – ou seja, uma média de 360 por mês durante três anos e meio. Cada avião custou U$ 85.000 (cerca de U$ 1,1 milhão em 2015).

No total, o Departamento de Guerra gastou U$ 1,2 bilhão em P-47 Thunderbolts antes do fim da guerra. Isso significa algo próximo a U$ 15,5 bilhões hoje.

… Mas valeram o investimento

Diversos pousos “de barriga” foram executados, mas a robustez do P-47 manteve a salvo seus pilotos. (imagem: WikiCommons)

O P-47 fez sua estreia em combate em abril de 1943, quando um Thunderbolt com o 4º Grupo de Caças do Exército dos EUA derrubou um Focke Wulfe FW-190 sobre a França.

Nos dois anos seguintes, os aviões voariam mais de meio milhão de missões na Europa e no Pacífico e reivindicariam quase 4.000 aeronaves inimigas, 9.000 trens, 86.000 caminhões e 6.000 veículos blindados. Belos números para o P-47, além de provar sua versatilidade no combate.

Muitos ases preferiram o Thunderbolt

Francis “Gabby” Gabreski, um dos principais ases americanos com o P-47. (imagem: WikiCommons)

Um número de ases americanos alcançou recordes impressionantes enquanto estavam voando os P-47s. Seus principais pilotos incluem Francis “Gabby” Gabreski (28 scores), Robert S. Johnson (27 scores) e David C. Schilling (22,5 scores).

P-47 modificados quebraram recordes de velocidade

Um P-47 do modelo N. (Imagem: WikiCommons)

Inúmeras tentativas foram feitas para melhorar o desempenho do poderoso Jug. Um modelo experimental estabeleceu um recorde de velocidade de 810 km/h. Nenhuma aeronave com motor de pistão superaria isso até 1989.

Em 1942, a Republic informou que seus pilotos de teste haviam quebrado a então ilusória “barreira do som” durante os testes de mergulho com o P-47, embora esse recorde tenha sido contestado.

No entanto, dois anos depois, a empresa produziu um número limitado de Thunderbolts do modelo M com motores com supercharge que podiam atingir velocidades de emergência de 760 km/h. Estes foram enviados ao Reino Unido para interceptar foguetes V1 e mais tarde foram usados contra jatos alemães.

Mais de 20 nações usaram o P-47

Um P-47 com as cores da Força Aérea de Argentina. (Imagem: WikiCommons)

Enquanto os Estados Unidos eram o principal operador da P-47, o Thunderbolt também serviu em várias forças aéreas de outros países. Mais de 800 unidades foram enviadas para as potências britânicas e da Commonwealth durante a guerra.

A França Livre também operou quase 500 aeronaves. Cerca de 400 Jug também foram arrendados para uso na União Soviética, onde atuaram em grande parte como interceptadores. O Brasil foi outro dos operadores do P-47.

Sentando a Pua na Itália

Uma esquadrilha de P-47 do 1° Grupo de Aviação de Caça. (Imagem: WikiCommons)

A FAB, representada pelo 1° Grupo de Aviação de Caça, lutou na Itália durante a Segunda Guerra com seus P-47 Thunderbolt. Foram adquiridas 68 unidades do P-47D, dos quais 31 foram inicialmente entregues ao 1° GAVCA no início da campanha. Os 37 demais ficaram armazenados no Army Air Force Storage Center/Mediterranean Theater of Operations, em Napoles.

Este depósito atendia as unidades de caça que operavam no Teatro de Operações do Mediterrâneo. Com isso, algumas dessas unidades foram entregues as demais unidades americanas, sendo repostas posteriormente.

Ao final do conflito, o 1° GAVCA utilizou 48 unidades do P-47 durante os 184 dias em que permaneceu combatendo, tendo perdido em combates ou acidentes 22 destas aeronaves.

O P-47 Alemão

O P-47 capturado e pintado com as insígnias alemães. (Imagem: WikiCommons)

Em 1943, durante uma missão de escolta, uma esquadrilha de P-47 do 358th Fighter Squadron se perdeu num mau tempo, obrigando seus componentes a tomarem decisões difíceis.

O líder fez um pouso forçado numa praia, o número 2 ficou sem combustível e saltou sobre o mar, tendo sido capturado pelos alemães. Já o número 3 teve sorte e conseguiu posar num campo inglês. A má sorte também esperava pelo número 4, pilotado pelo 2 Ten Willian E. Roach, sendo sua 3 missão de combate.

Procurando por algum ponto conhecido, avistou um campo que pensou que fosse na Inglaterra. Somente ao estacionar e cortar o motor, percebeu que estava em campo alemão, tendo sido feito prisioneiro.

Este era o primeiro P-47 intacto e em condições de voo que os alemães haviam capturado.

Pintado com a suástica nazista, foi submetido a diversos testes para determinar seus pontos fracos. A partir daí, o P-47, agora batizado de 7+9, também visitou diversas unidades alemães para mostrar aos pilotos todas as características do Thunderbolt.

Em 1945, foi recapturado pelos americanos, repintado e voltou ao serviço ativo no lado certo.

Thunderbolts na Guerra Fria

Um P-47 com as cores da Força Aérea de Taiwan. (Imagem: WikiCommons)

Embora a produção do P-47 tenha cessado apenas algumas semanas após a rendição do Japão, os Thunderbolts (reconduzidos como F-47) continuaram a servir por anos (e em alguns casos décadas) após a Segunda Guerra Mundial.

Os EUA retiraram da sua linha de frente em 1949, mas aliados da OTAN como Turquia, Portugal e Itália mantiveram esquadrões de Thunderbolts na década de 1950, assim como o Irã. Os F-47 de Taiwan rotineiramente engajavam com os caças comunistas na costa da China.

Os modelos excedentes também foram distribuídos liberalmente por toda a América Latina durante o mesmo período. Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e República Dominicana mantiveram suas frotas por anos. O Brasil aposentou seus F-47 em 30 de abril de 1957. O recordista de tempo operando o F-47 na América Latina foi o Peru que manteve suas aeronaves voando até 1966.

Uma nova versão do Thunderbolts

O A-10 foi denominado Thunderbolt II. (Imagem: WikiCommons)

Ao projetar seu formidável caçador de tanques A-10 no início da década de 1970, os engenheiros da Fairchild Republic rasgaram uma página da história e apelidaram seu novo jato de ataque bimotor Thunderbolt II em homenagem ao P -47.

Há quem diga que somente deveria haver um Thunderbolt na história, mas há aqueles que dizem que, além da homenagem, assim o nome Thunderbolt nunca se mantem fora do combate.

E você, qual sua opinião?

Thunderbolts no século XXI

Um P-47 ainda em condições de voo. (Imagem: WikiCommons)

Hoje, pelo menos 15 Jug originais da época da guerra ainda estão voando e podem ser vistos nos circuitos de shows aéreos da América do Norte a cada verão.

Há 1 aeronave na Inglaterra e as demais nos Estados Unidos, participando dos diversos shows aéreos.

No Brasil há 5 P-47 em exposição, sendo 1 na Base Aérea de Santa Cruz, 2 no MUSAL no Campos dos Afonsos, 1 no museu da TAM em São Carlos e 1 no museu do expedicionário em Curitiba. São ótimas oportunidades para ver de perto o tamanho deste trator voador.

Conclusão

P-47 “Arlette” pilotado pelo 1° Ten Miranda Correa do 1° GAVCA. (Imagem: ABRA-PC)

O P-47 Thunderbolt é sem dúvida um dos mais impressionantes caças que combateram na 2° Guerra Mundial.

Além disto, podemos dizer que o Trator Voador foi um verdadeiro caça multirole na guerra, sendo empregado eficientemente tanto em missões de escolta, quanto em missões de ataque ao solo, sendo está a maioria das missões realizas pelo 1°GAVCA.

E você, já conheceu algum P-47 no Brasil ou no mundo? Me conte nos comentários.

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