Porque os Harrier tiveram tanta vantagem sobre os caças argentinos na Guerra das Malvinas?

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As vitórias dos Sea Harrier na Guerra das Malvinas foram primordiais para a vitória da Grã-Bretanha. Nas palavras do Almirante Sir Henry Leach, “sem o Sea Harrier, não haveria Força-Tarefa Naval britânica”.

Mas a pergunta que sempre nos fazemos é: por que os Harrier tiveram tanta vantagem sobre os caças argentinos?

Quando a Guerra das Malvinas eclodiu, as forças armadas argentinas possuíam mais de 140 aeronaves disponíveis, divididas conforme quadro abaixo:

AeronaveBase de OperaçãoTotal
DaggerRio Grande e San Julian20
Mirage IIIRio Gallegos17
A-4 SkyhawkRio Grande, Rio Gallegos e San Julian47
Camberra Mk62Trelew8
IA-58 PucaráComodoro Rivadavia20
C-130 HérculesComodoro Rivadavia7
KC-130 HérculesComodoro Rivadavia2
P-2 NeptuneComodoro Rivadavia2
P-95 BandeirulhaComodoro Rivadavia2
Super EtendardRio Grande4
MB 339 AermacchiRio Grande10
Sikorsky S-61D-4Navio de Apoio Polar Almirante Irizar5
Total144

Por outro lado, a Força Tarefa Naval britânica havia enviado 2 porta-aviões com os Sea Harrier a bordo e posteriormente, outra frota de Harrier GR3 enviados a bordo do navio Atlantic Conveyor. A bordo dos navios da Royal Navy, estavam os helicópteros Sea King, que foram operados como suporte as operações terrestres e antisubmarinas.

Operando a partir da Ilha de Ascenção, estavam também os grandes bombardeiros Vulcan Mk2.

AeronaveObservaçãoTotal
Sea HarrierEnviados juntos com a Força Tarefa20
Harrier GR3Enviados posteriormente no Atlantic Conveyor18
Vulcan Mk2Operando da Ilha de Ascenção6
Sea KingModelos HAS.Mk522
Total66

Num primeiro momento, há clara discrepância a favor dos argentinos, mas já sabemos que os resultados foram contrários a este desbalanceamento.

Para tentarmos entender, precisamos analisar alguns pontos importantes, separados abaixo. Vale ressaltar que as observações abaixo não são únicas. Há diversos livros e artigos que tratam de outras questões, mas, no meu entendimento, não foram decisivos para as derrotas aéreas.

A diferença de treinamento entre os pilotos argentinos e britânicos

Os pilotos de Sea Harrier eram realmente habilidosos e experientes. Como parte da OTAN, era comum participarem de treinamentos conjuntos com outras forças aéreas e marinhas, o que permitiram aperfeiçoar suas táticas de combates aéreos contra caças de diferentes performances.

Antes de combaterem as aeronaves argentinas, tanto os pilotos da RAF quanto da Royal Navy, já haviam realizado treinamentos de combate contra aeronaves A-4 Skyhawk americanas e Mirages franceses, o que lhes permitiu conhecer suas características, seus pontos fortes e fracos. Além disto, os americanos e franceses forneceram informações adicionais sobre o comportamento das suas respectivas aeronaves.

Os pilotos argentinos eram considerados hábeis e corajosos, mas não possuíam as mesmas experiências de treinamento dos pilotos britânicos.

Era comum o treinamento de combate aéreo apenas internamente, ou seja, contra seus próprios tipos de aeronaves. Não era prática comum o intercâmbio de pilotos, nem tampouco a existência de exercícios internacionais na América Latina.

Além disto, não havia um estreitamento de laços entre a Força Aérea e a Marinha, o que não permitia o treinamento dos pilotos da Força Aérea em doutrinas e táticas de emprego navais. Apenas quando a guerra já estava declarada, é que os pilotos argentinos puderam realizar algum treinamento de ataque naval com o objetivo de atuar na campanha que estava por vir.

O peso que a falta de equipamentos atuais faz no uso do poder aéreo

Embora as aeronaves argentinas estivessem disponíveis em maior quantidade, a grande maioria era de uma geração anterior, com diversas restrições operacionais e de sistemas a bordo.

Por outro lado, os Harrier britânicos, mesmo sendo subsônicos, contavam com diversos equipamentos a bordo, incluindo radares e sistemas de contramedidas eletrônicas, além de contar com um armamento mais moderno.

Durante os combates, o resultado foi de 20 a 0 a favor dos caças britânicos. Aqui, não estamos considerando os Harrier perdidos em acidentes, como os dois que se perderam durante uma missão de PAC, onde se estima que tenham colidido com algum obstáculo.

Vale ressaltar que há fontes argentinas que alegam terem abatido um Harrier, o que sempre foi negado oficialmente pelos ingleses.

A maioria das aeronaves abatidas pelos Harrier foram A-4 e Daggers (versão israelense do Mirage V), que não eram páreos para os britânicos.

O avião israelense, embora fosse supersônico, não possuía contramedidas eletrônicas e tinha uma aviônica muito antiquada, além de não possuir um radar para ajudá-lo. O caça foi usado para cumprir mais ações de ataque naval, mas acabaram se engajando em alguns voos com os Harrier em PAC. Nestes casos, acabaram sendo abatidos principalmente pela opção tática da Força Aérea de armar as aeronaves com bombas, deixando apenas os canhões como meios para defesa.

Outra aeronave supersônica empregada na guerra foi o caça francês Dassault Mirage III. Assim como seu “irmão” israelense, o Mirage também possuía uma aviônica antiga e sem qualquer sistema para autodefesa, considerando contramedidas eletrônicas e RWR, mas, em contrapartida, possuía um radar de bordo capaz de detectar a presença dos Harrier. Foi utilizado na guerra como caça de defesa aérea, empregando seu míssil Matra Magic 530 de curto alcance, contudo, pela falta de sonda para reabastecimento em voo, tinha pouca autonomia para permanecer no combate (Vull Time) e engajar os caças ingleses. Isto o impediu de prestar o apoio ideal às aeronaves que estavam realizando as missões de ataque naval.

Os caças mais empregados no ataque naval foram os americanos A-4 Skyhawk. Aeronaves subsônicas com aviônica simples, sem radar, sem contramedidas eletrônicas e sem armamentos ar-ar para se defender. Durante os ataques aos navios britânicos, realizaram as missões mais perigosas. A falta de equipamentos do tipo RWR a bordo, impediu os pilotos argentinos de serem alertados pelo “lock” radar dos Harrier, o que os impedia de realizar manobras evasivas antecipadamente. Ou seja, os britânicos estiveram livres para “lockarem” as aeronaves argentinas e planejarem suas táticas de interceptação, o que lhes inferiu vantagens nos combates.

A aviônica dos caças IAI Daggers era muito simples para a época.

Por outro lado, os caças britânicos, embora subsônicos também, estavam equipados com uma aviônica moderna, um radar confiável e um míssil de curto alcance, o AIM-9L Sidewinder, com capacidade de ser empregado em qualquer aspecto do inimigo.

Falando em armamento ar-ar, os argentinos dispunham do míssil francês Matra Magic 530. Era similar ao AIM-9L Sidewinder, sendo ambos de curto alcance e guiado por emissões infravermelhas, mas possuía menor capacidade. Enquanto o AIM-9L podia ser lançado em qualquer aspecto do inimigo, já que seu Field of View (FOV – campo de visão) ia até 120 graus, o Magic 530 tinha um FOV restrito a 40 graus, o que lhe permitia ser usado somente no setor traseiro do inimigo.

Além desta limitação, há relatos de que nos primeiros combates, as aeronaves argentinas teriam disparados alguns mísseis, mas todos ou foram defendidos pelos pilotos britânicos ou falharam.

De tudo que foi falado, a falta de um RWR a bordo e a capacidade de lançar contramedidas eletrônicas, na visão deste autor, foram as principais causas da desvantagem frente aos caças britânicos. Não é foco deste artigo, mas estes sistemas poderiam também ter evitado os mísseis lançados pelos navios.

Por último, as únicas aeronaves argentinas com capacidade de serem reabastecidas em voo eram os Skyhawks da Força Aérea e os Super Etendard da Marinha. Isto acabou limitando bastante as táticas empregadas pelos argentinos.

Tão longe para os britânicos, como para os argentinos

A distância das Ilhas Malvinas das bases de operação das aeronaves argentinas era de, pelo menos, 700 km, conforme a imagem abaixo.

Somente os Camberra tinham autonomia suficiente para voar ate as Malvinas e voltar para a sua base sem a necessidade de realizar reabastecimento em voo. Em contrapartida, eram aeronaves bastante vulneráveis devido, também, a falta de equipamentos adequados para se contraporem aos Harriers.

Os demais caças argentinos tinham pouco tempo na área de combate devido as grandes distâncias que deveriam percorrer na ida e na volta. À disposição das forças armadas argentinas estavam 2 aeronaves KC-130 de reabastecimento em voo, mas, como já vimos, nem todas as aeronaves eram capazes de serem reabastecidas.

Com isso, os argentinos acabaram prejudicados, principalmente as suas aeronaves Mirage III que deveria cumprir as ações de varredura (sweep) ou até mesmo de escolta das aeronaves atacantes. As ocasiões onde os Mirage realizaram ações de defesa aérea ficaram restritos para engajar os Harrier que estavam voando em altitudes mais baixas. Sabedores disto, os pilotos ingleses não se importaram com a presença dos Mirage e atacaram livremente os A-4 e Daggers.

Além disto, a autonomia limitava as rotas de ida para atacar a frota britânica, já que não havia muita margem para desvios. Com isso, seus corredores de ida acabaram ficando previsíveis, o que facilitou a identificação de suas aeronaves, ajudando na interceptação, além de diminuir drasticamente o efeito surpresa.

O A-4 e o Super Etendard eram os únicos capazes de realizar reabastecimento em voo.

A solução foi tentar enviar várias esquadrilhas num curto espaço de tempo, de modo a tentar saturar as forças de defesa, o que realmente deu certo, permitindo que várias aeronaves conseguissem lançar suas bombas nos navios. Somente não causaram mais danos à frota inglesa pelo mal preparo das espoletas das bombas, o que os ingleses só vieram a assumir depois da guerra.

Todo este problema permitiu que os Harrier lograssem êxito na interceptação das aeronaves argentinas que, somadas a falta de equipamentos de RWR e contramedidas, sofreram muitas baixas.

Não basta ter coragem, também é preciso usar boas táticas

Os pilotos britânicos, conhecedores das vantagens dos caças supersônicos argentinos em altas altitudes, evitaram se engajar com os Mirage e Dagger enquanto voavam mais altas. Nestes casos, preferiram permanecer em altitudes mais baixas, onde sabiam que suas performances eram melhores, tentando atrair os caças argentinos para suas arenas de combate.

Dessa forma, os pilotos argentinos, restritos de combustíveis, evitaram muitas vezes o combate com os Harrier voando em PAC, não dando uma cobertura efetiva para os caças bombardeiros que chegavam para atacar a frota inglesa.

No dia 1 de maio, houve uma tentativa de engajamento a baixa altitude, onde um Mirage III foi abatido pelos Harrier. A partir daquele dia, nenhum outro caça argentino desceu para engajar os ingleses.

Outro combate entre os caças supersônicos e ingleses ocorreu no dia 21 de maio, sendo o primeiro entre os Dagger e os Sea Harrier. A esquadrilha argentina composta por 3 Dagger, configurada com bombas e canhões, foi engajada por 2 Sea Harrier. Para melhor contar este combate, deixo abaixo o relato do Cap Donadille, piloto de um dos Dagger.

“Às 2:00 da tarde de 21 de maio de 1982, uma esquadrilha com três aeronaves Dagger do Grupo 6, decolaram armadas com bombas para atacar objetivos navais e sem mísseis ar-ar. Seu código rádio era “Mouse” e era composta pelo Capitão Guillermo Donadille (que pilotava o Dagger C-403), Major Carlos Justo Piuma (C-404) e Primeiro Tenente Jorge D. Senn (C-407). Uma hora após a decolagem, eles passaram pela Great Malvina para atacar os navios britânicos no Estreito de San Carlos.

Infelizmente, os britânicos haviam detectado os corredores de entrada usados ​​pelos Daggers, que não tinham, como o A-4 Skyhawk, capacidade de reabastecer em voo, o que não os permitia fazer grandes desvios, pois seu consumo de combustível os impediria de retornar as suas bases. Assim, os Sea Harriers estavam sempre à espreita, esperando por suas presas.

Capitão Guillermo Donadille comenta: “Quando estávamos a um minuto do alvo, que eram os navios ingleses em San Carlos, meu número 3, Senn, localizado à esquerda, gritou no rádio: ‘Atenção, um avião à direita!’ Eu olhei e vi um avião um pouco mais longe e voando quase no mesmo rumo que nós.

O curioso sobre aquela situação, que somente descobri mais tarde, é que Senn estava me indicando outro avião que se aproximava um pouco à frente e o que eu vi era um segundo inimigo, mais na lateral”.

Donadille admite que a princípio pensou ser um Skyhawk argentino, pois havia pouca luz e também chuviscava na hora. Mas quando o piloto do Sea Harrier viu Senn e começou a se virar para atacá-lo, não havia mais dúvida, ele era um inimigo.

Donadille continua narrando: “Então ordenei que a esquadrilha alijasse todas as bombas e tanques extras, porque com toda aquela parafernália você não poderia curvar rápido o suficiente para tentar qualquer manobra defensiva contra os ágeis aviões ingleses.”

Senn manobrou para engajar a aeronave que estava indo em sua direção, mas não viu o outro Sea Harrier, à direita do líder da PAC inglesa, posicionado para disparar um míssil.

Donadille comenta: “o canhão era a única arma que tínhamos para combater, mas, embora os Harrier estivessem fora do alcance dos meus 30mm, atirei, o que iluminou toda a parte de baixo da minha fuselagem, fazendo com que os britânicos me vissem e não continuassem seu ataque ao inadvertido Senn.

Quando o inglês me viu, ele virou na minha direção e eu, dando meu melhor para curvar meu avião apontando para um ponto futuro onde imaginei que o inglês pudesse ir, comecei a atirar. Tudo isso a mais ou menos 100 metros de altura. Os tiros foram sem uma mira correta. Eu simplesmente torci para que ele passasse pelos meus tiros, o que, aparentemente, aconteceu. Eu quase fui engolido pelo chão de tão baixo que eu estava para tentar segui-lo. Nós cruzamos muito baixo, tanto que eu achei que ele tivesse colidido com o solo.

Consegui sair daquela situação arriscada, mas apenas para encontrar Senn, que estava curvando como um louco, o que me forçou a reverter a curva para evitar que ambos colidíssemos. Quando eu consegui desviar e endireitar meu avião, fui atingido por um míssil, o que me forçou a ejetar”.

Alguns segundos depois, os outros dois membros da esquadrilha, Senn e Piuma, foram abatidos pelos Sea Harriers, mas todos conseguiram se ejetar com sucesso e mais tarde foram recuperados pelas forças terrestres argentinas e levados de volta para Port Howard.

Este engajamento mostrou alguns erros táticos dos argentinos, que optaram por voar armados com bombas, ao invés de priorizar uma mescla de mísseis e bombas, assim como consagrou o AIM-9L na Guerra das Malvinas.

O Atlântico Sul no inverno é um local frio e tempestuoso, e o contraste extremo entre os motores dos Mirages e dos Daggers e o mar e o céu gelados deu ao AIM-9 um desempenho consideravelmente melhor do que o esperado. Basta dizer que, independentemente da habilidade ou coragem dos pilotos argentinos, tentar superar a vantagem que o AIM-9 dava aos britânicos usando apenas os canhões, seria uma missão suicida.

Sejamos realistas, mas também justos

Como já podemos notar, a maioria das vitórias aéreas a favor dos pilotos britânicos foram contra os caças bombardeiros, e não contra os caças de superioridade aérea. Ao final da guerra, das 45 aeronaves perdidas do lado sul-americano, 15 eram A-4 Skyhawk e Daggers. Todos estes configurados com armamentos ar-solo, sem qualquer proteção.

Embora esteja muito claro que houve sim uma superioridade dos Sea Harrier, também devemos ser justos com os argentinos. Não podemos negar o êxito de muitas aeronaves que conseguiram lançar suas bombas nos navios britânicos. Lógico que, se a maioria das bombas tivessem explodidas, o resultado final da guerra poderia ter sido outro.

Devemos também ser conscientes de que grande parte dos dados disponíveis vem de fontes inglesas, já que os poucos livros argentinos que narram os fatos do outro ponto de vista não são tantos e a qualidade não é das melhores.

No entanto, há uma fonte inglesa escrita por Jeffrey Ethel e Alfred Price, chamado Air War South Atlantic, publicado inicialmente em 1983, que cobre a guerra aérea de uma maneira justa e imparcial. Ele se baseia em testemunhos de muitos pilotos argentinos e britânicos e consegue evitar o (principalmente) viés não intencional de muitos autores sobre a guerra aérea.

O quadro abaixo mostra os tipos e as quantidades das aeronaves abatidas somente pelos caças ingleses.

AeronaveObservaçãoQuantidade
A-4 SkyhawkCaça bombardeiro6
DaggerDogfight a baixa altura no dia 1 de maio9
Mirage IIIDogfight a baixa altura2
IA-58 PucaráDurante missão de CAS1
Camberra1
C-130 HérculesEm missão de reconhecimento. Foi atingido por 2 mísseis e depois atingido na cabine por tiros de canhão dos Harrier1
Total20

A Força Aérea Argentina alega também que derrubou um Sea Harrier durante os combates no dia 21 de maio, o que o Reino Unido nega. O combate em questão foi o relatado pelo Cap Donadille acima.

Segundo a versão britânica, Donadille e seus dois companheiros foram abatidos por dois Sea Harriers FRS.1 do esquadrão No. 801, pilotados por Nigel D. “Sharkey” Ward e Steve R. Thomas. De acordo com essa mesma versão, o piloto que estava engajado com Donadille foi Ward, que conseguiu evitar os tiros dos seus canhões. Então Nigel Ward abateu Senn e Thomas fez o mesmo com Donadille e Piuma empregando mísseis AIM-9L.

Isso não está de acordo com a versão dos argentinos. De acordo com o radar de Puerto Argentino, nada menos que cinco Sea Harrier interceptaram os três Dagger. Além disso, um posto de observação em terra próximo ao local da batalha viu um Harrier soltando fumaça preta por volta das 15:00 (horário do combate aéreo).

Um pesquisador argentino, Rubén Oscar Moro, entrou em contato com fontes britânicas para saber sobre as perdas reais de aviões e helicópteros britânicos. Essas fontes forneceram as informações (segundo ele, seus dados são 100% confiáveis), mas, em troca, pediram anonimato. Em agosto de 1984, essas fontes confirmaram que o Sea Harrier danificado pelo capitão Donadille era ocupado pelo Ten Harry Trent, que depois de voar cerca de 30 km do local de combate aéreo, foi forçado a se ejetar e foi resgatado por um helicóptero Sea King.

Não há dúvidas que, mesmo em menores quantidades, os Harrier garantiram a superioridade aérea para os ingleses na guerra, o que permitiram a atuação livre de suas tropas.

Mas, depois de tudo que foi exposto, ninguém pode negar que tanto as aeronaves, quanto os pilotos argentinos, não estavam no mesmo nível dos britânicos. A falta, principalmente, de equipamentos de autoproteção a bordo poderia ter ajudado aos pilotos argentinos a se defenderem dos mísseis ingleses.

Lição esta que serve para diversas forças aéreas ao redor do mundo. Não importa a quantidade, mas sim a qualidade. E, infelizmente, a realidade da maioria das forças aéreas presente na América Latina ainda se mantem desta forma.

Dentre as diversas obras que buscam apresentar os dados e conclusões a respeito dos resultados das batalhas aéreas, sugere-se a leitura do livro Sea Harrier FRS 1 vs Mirage III/Dagger: South Atlantic 1982.

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