Robin Olds – Um ás na Segunda Guerra e na Guerra do Vietnã

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Robin Olds nasceu em Honolulu, Havaí, em 14 de julho de 1922. Oriundo de uma família tradicional do exército, viveu a sua juventude em Hampton, na Virginia.

Seu pai era capitão à época e instrutor de voo na França durante a Primeira Guerra Mundial. Sua mãe morreu quando Olds tinha apenas 4 anos, passando a seu criado apenas pelo pai.

Ainda na infância, já convivia no meio militar, já que seu pai costumava levá-lo para as reuniões dos grupos de amigos. Um destes, inclusive, seria Chefe de Gabinete da Força Aérea Americana na Segunda Guerra Mundial (Maj Carl Spaatz).

Olds teve seu primeiro contato com a atividade aérea aos 8 anos, em um biplano pilotado por seu pai, o que despertou o interesse pela atividade aérea.

Após o início da Segunda Guerra, Olds tentou entrar para a Real Força Aérea Canadense, mas foi persuadido por seu pai a entrar para a Academia de West Point, onde foi aprovado em junho de 1940. Quando os japoneses atacaram Pearl Harbor, Olds foi enviado para a Spartan School of Aeronautics em Tulsa, Oklahoma, para iniciar seu treinamento aéreo. Os voos duraram 1 ano, finalizando no final de 1942, quando, então, Olds regressou à West Point até sua graduação em 1943.

Robin Olds como cadete da Academia de West Point.

Agora como Segundo Tenente, Olds completou sua formação como piloto de caça no 329th Fighter Group. Após seu treinamento no P-38 no começo de 1944, Olds foi designado para compor o quadro de tripulantes do 434th Fighter Group e do 479th Fighter Group que estavam sendo formados.

Já com 650 horas de voo, sendo 250 no P-38, Olds é definitivamente designado para o 479th e enviado para a Europa em 3 de maio de 1944 a bordo do USS Argentina.

Combates aéreos sobre a Alemanha

Tenente Robin Olds e seu “SCAT II,” um Lockheed P-38J-15-LO Lightning, 43-28707.

Olds e seu 479th Fighter Group iniciaram os voos de combate em 26 de maio, voando em missões de escolta de bombardeiros e atacando alvos no solo na França ainda ocupada. Esta missões faziam parte da preparação para o desembarque no Dia D.

No dia 14 de agosto, pilotando seu P-38J, “Scat II”, em uma missão de bombardeio a baixa altura sobre Montmirail, na França, avistou um par de aeronaves desconhecidas bem à sua frente, indo para a direita. Foi atrás deles e os identificou como sendo 2 FW-190. A 400 jardas atrás do avião mais atrasado, disparou uma rajada de seis segundos, atingindo a asa esquerda e, em seguida, a fuselagem. Grandes pedaços da aeronave voaram, assim como chamas e fumaça apareceram e o avião começou a curvar para a direita.

Voltando sua atenção para o segundo avião, não conseguiu ver o primeiro atingir o chão. Enquanto o segundo Focke Wulf fazia uma curva completa de 360 ​​graus, Olds o mantinha na mira, disparando uma rajada de cinco segundos, muito das quais atingindo a vítima. O Focke Wulf deu uma cabrada e o piloto saltou de paraquedas.

Estas seriam as 2 primeiras vítimas de Robin Olds durante toda a sua vida de combates aéreos.

Dias depois, em uma missão de escolta de bombardeios, Olds liderava sua esquadrilha mais a esquerda da formação do grupo, quando avistou de 40 a 50 BF-109 voando para o norte na mesma altitude de 28.000 pés. Imediatamente, Olds curvou a esquerda e começou a perseguir as aeronaves alemães, o que durou cerca de 10 minutos.

Sobre a cidade de Butzow, ainda sem ser detectado pelos boches, Olds comandou para seu ala a soltura dos tanques subalares e partiu para o ataque, muito embora o segundo elemento da sua esquadrilha estivesse distante por não ter acompanhado a subida.

Assim que Olds começou a disparar, ambos os motores do seu P-38 pararam por falta de combustível, ocasionado pelo esquecimento da troca dos tanques de combustível interno. Mesmo com os motores perdendo potência, ele continuou a disparar atingindo fatalmente o BF-109 na fuselagem e no motor.

Após este primeiro ataque, picou seu P-38 para conseguir reascender os motores. Apesar dos danos causados no seu próprio avião, incluindo a perda da parte esquerda do seu canopy, Olds continuou no combate abatendo ainda mais 2 BF-109, regressando a sua base como o primeiro ás do 479th Fighter Squadron.

Seu relatório de combate abaixo relata os acontecimentos do combate:

“Ainda em mergulho raso, observei um P-51 e um BF-109 combatendo. Parecia também que os demais “38” precisavam de ajuda, então comecei a descer na direção do combate.

Acerca de 1.200 metros, avistei um alemão, ainda fora do meu alcance, girando embaixo de mim. Botei meu avião no dorso para segui-lo e disparei uma rajada a longa distância, totalmente ineficaz.

Estava voando a mais de 800 Km/h, quando minha janela esquerda explodiu, o que me deixou extremamente assustado, pois pensei que tinha sido atingido por algum obus da antiaérea que eu havia visto nas proximidades.

Tratei de recuperar o controle da aeronave e me vi sobre um campo de trigo. Tentava entrar em contato com a minha esquadrilha, quando vi um BF-109 passando pelas minhas 7 horas e mais alto.

Fiz uma curva apertada à esquerda, a melhor que o avião pode aguentar, mas o boche me ultrapassou. Me endireitei e dei lhe outra rajada. Ele fez uma chandelle para a esquerda e eu atirei mais e mais. Quando ele passou sobre mim, iniciei meu immelmann, mas assim que me endireitei, vi o piloto saltando de paraquedas.”

Depois que seu grupo foi reequipado com o P-51 Mustang no outono de 1944, Olds voltou a abater uma aeronave inimiga em 6 de outubro. Em novembro, Olds completou seu primeiro tour na guerra e voltou para um tempo de descanso nos Estados Unidos.

Robin Olds no seu novo “SCAT VI”, um P-51 Mustang.

Em janeiro de 1945, Olds regressou à Europa para um segundo tour, desta vez designado para o esquadrão 434th e pilotando o P-51D “Scat VI”, equipado com um visor novo, o K-14. Promovido a Major em 9 de fevereiro de 1945, Olds voltou a abater seus inimigos em 9 de fevereiro, após um combate aéreo contra um BF-109 sobre a cidade de Magdeburg, na Alemanha.

Na ocasião, deixou que seu novo visor K-14 calculasse a deflexão e disparou, surpreendendo o boche alemão. Continuou a se aproximar disparando mais 2 vezes, o que levou o BF-109 a um Knock out direto para o chão.

5 dias após, em 14 de fevereiro, voltou a abater 3 aeronaves numa mesma missão, sendo 2 BF-109 e 1 FW-190, mas um dos BF-109 foi creditado como “provável”.

Em 7 de abril, enquanto escoltava bombardeiros B-24 sobre Luneburg, na Alemanha, Olds obteve sua última vitória aérea na Segunda Guerra Mundial.

“SCAT VI” (P-51D-25-NA 44-44729) de Robin Olds, durante uma escolta de bombardeiros na Segunda Guerra.

Olds voava o “Scat VI” e era o líder da formação composta pelas aeronaves do 479th Fighter Group. Quando estavam ao Sul da cidade de Bremen, Olds notou algumas trilhas de condensação aparecendo, vindo de aeronaves voando acima e a esquerda da formação dos bombardeiros. Por 5 minutos, estes contatos voaram paralelos com os B-24 enquanto o 479th permanecia a postos.

Decidido a investigar, Olds curvou e viu um par de ME-262 curvando e mergulhando na direção dos bombardeiros. Após danificar um dos jatos, os P-51 retornaram para suas posições ao lado dos Liberators.

De repente, Olds observa um BF-109 atacar e abater um dos bombardeiros. Imediatamente, Olds inicia a perseguição e consegue abater o Messerschmitt, sua última vítima na grande guerra.

Ainda nos últimos dias da guerra, Olds liderou algumas esquadrilhas de P-51 em missões de ataque ao solo, onde metralharam os aeródromos de Lubeck Blankensee e Tarnewitz no dia 31 de abril, e o aeródromo de Reichrsburg, na Áustria dias depois, onde na ocasião, lhe foi creditado a destruição de 6 aeronaves alemãs no solo.

Sobre uma destas missões de ataques, o próprio Olds conta um pouco dos acontecimentos:

“Eu havia sido atingido pela Flak quando eu iniciava minha recuperação de um ataque ao aeródromo. 5 P-51 iniciaram o ataque, mas eu fui o único que retornou para a nossa base. Os demais foram abatidos pelas Flaks espalhadas ao redor.

Quando eu estava me aproximando do pouso, comecei a checar qual era a menor velocidade para manter o avião voando em meio aos danos causados pela Flak. Descobri que a velocidade de stall estava em 175 mph (282 Km/h). Abaixo disto, o avião tinha tendência de girar para cima da asa afetada (nota: o flape direito havia sido arrancado e havia dois grandes buracos na asa direita).

O que fazer então? Saltar de paraquedas parecia ser a resposta mais sensata, mas aqui está o sentimento acima da razão. Aquela aeronave (SCAT VI) tinha me levado de volta para casa tantas vezes e eu estaria sendo injusto se desistisse dela.

Porque eu e meu pássaro sobrevivemos aos trancos e sacolejos naquela pista, nunca saberemos”

Outra foto de Robin Olds no seu P-51 “Scat VI”. Nota se as marcações das suas vitórias.

No fim, Olds não somente havia galgado postos maiores, mas receberia o comando de seu próprio esquadrão no dia 25 de março, menos de 2 anos após terminar sua formação na Academia de West Point e com apenas 22 anos de idade.

Ao final da guerra, o Maj Robin Olds foi creditado com 13 vitórias aéreas sobre as aeronaves alemãs e 11,5 destruídas no solo. Havia se tornado um ás nos 2 tours cumpridos na guerra e foi 2 vezes agraciado com a medalha Silver Star, uma pela missão do dia 25 de agosto e outra por outros feitos individuais e de seu esquadrão.

A associação americana de pilotos ases reconhecem Olds como o único piloto a ter abatido mais de 5 aeronaves pilotando tanto o P-38 (5 vitórias) quanto o P-51 (8 vitórias).

Voando na era do jato

Lockheed P-80A-1-LO Shooting Star, “SCAT X,” pronto para mais um voo em 1946.

Após regressar da guerra, Olds foi inicialmente designado para servir na West Point como técnico assistente da equipe de futebol americano. Mas, aparentemente, suas rápidas promoções incomodaram algumas pessoas, o que acabou provocando sua transferência para o 412th Fighter Group, no Campo de March, na California. Lá, ele voou o P-80 Shooting Star.

Em abril de 1946, ele conheceu o Ten Cel John C. Herbst que, juntos, criariam um time de demonstração aérea. Assim, em maio, iniciaram o Projeto Comet, que visava realizar apresentações em 9 cidades. Meses depois, Herbst viria a morrer num trágico acidente de P-80 durante uma destas demonstrações.

Em 1948, Olds foi enviado para a Inglaterra por ocasião de um acordo de intercâmbio entre ambos os países. Ele foi designado para comandar o Esquadrão N° 1 da RAF, em Tangsmere, e passou a voar o Gloster Meteor. Olds foi o primeiro estrangeiro a comandar uma unidade da RAF no pós-guerra, permanecendo nesta função até 1949.

No regresso para os Estados Unidos, foi designado para o 94th Fighter Squadron, no 1st Fighter Group, na Base Aérea de March. Desta vez, a máquina a ser domada era o F-86 Sabre.

Ainda no 1st Fighter Group, foi designado para comandar o 71th Fighter Squadron, mas logo em seguida foi transferido para o Comando de Defesa Aérea do mesmo Fighter Group. Como resultado desta nova função, Olds não pode participar da Guerra da Coreia, apesar das repetidas tentativas de se candidatar para o combate.

Foi nesse cenário que, desmotivado, Olds estava para pedir passagem para a reserva quando foi intercedido pelo seu amigo General Frederic H. Smith Jr, que o levou para trabalhar no Comando de Defesa Aérea em Washington.

Promovido a Ten Cel e, posteriormente, a Coronel há apenas 10 anos passados desde sua graduação em West Point, Olds finalmente foi designado para voltar ao voo em 1955, no comando da 86th Fighter Interceptor Group, na Base Aérea de Landstuhl, na Alemanha. Seu comando terminou quando, em 1956, ele foi designado para servir na Libia, até 1958.

Entre 1958 e 1962, Olds novamente havia voltado a ocupar um cargo administrativo no Pentágono. Neste período trabalhou diretamente na obtenção dos recursos necessários para o projeto do SR-71 Blackbird.

Após finalizar o National War College em 1963, Olds foi designado para ser o comandante da 81st Tactical Fighter Wing na RAF, Inglaterra. A aeronave voada pela Wing era o F-101 Voodoo, onde chegou a criar uma equipe de demonstração, usando pilotos da própria Wing. Mas isso lhe custou caro.

Coronel Olds após um voo no McDonnell F-101C Voodoo da RAF.

Como não tinha autorização para criar tal equipe, Olds quase foi parar na corte marcial, mas o então comandante da USAF na Europa (USAFE), General Gabriel P. Disosway, apenas o destituiu do comando e o mandou para o quartel-general da 9th Air Force, na Carolina do Sul.

Em setembro de 1966, mais uma vez, Olds foi agraciado com o comando de uma Wing de F-4C Phantom no Sudeste Asiático. Mas antes, usando de seus contatos, conseguiu completar sua formação operacional no F-4C no 4453rd Combat Crew Training Wing, no Arizona. Ele completou os 14 voos previstos em apenas 5 dias, graças a um dos instrutores, Maj Willian L. Kirk, que havia sido um dos seus pilotos no período em que esteve na RAF. Kirk voou com Olds algumas missões de lançamento dos mísseis AIM-7 Sparrow e AIM-9 Sidewinder.

Assim, Olds chegou na Base Aérea de Ubon, Tailândia, onde assumiu o comando da 8th Tactical Fighter Wing no dia 30 de setembro de 1966.

Se tornando um às pela terceira vez

Coronel Robin Oldss, comandante do 8th Tactical Fighter Wing, com seu SCAT XXVII, em Ubon, maio de 1967.

O 8th Tactical Fighter Group estava de mau a pior. Faltava-lhe agressividade e objetividade. Tudo isto foi o chamariz para que o comandante anterior fosse substituído por Olds, que passou a montar o time que traria a reputação para a sua unidade como a mais eficiente da Guerra do Vietnã.

Para o cargo de subcomandante da Wing, Olds convidou o então Coronel Vermont Garrison, um ás da Segunda Guerra e da Guerra da Coréia, e designou o Coronel Daniel James Jr. para o cargo de subcomandante de operações. As escolhas deram tão certo que, mais tarde, o binômio Olds-James passou a ser conhecido como “Blackman and Robin”.

Para iniciar sua participação na Guerra do Vietnã, Olds batizou seu F-4C de SCAT XXVII, dando continuidade a sua contagem desde a Segunda Guerra.

Dentre as diversas atuações de Olds na Guerra Aérea no Vietnã, está o planejamento e execução da Operação Bolo.

Diante das altas perdas de F-105 Thunderchief para os MIG-21 da Força Aérea do Vietnã do Norte (NVAF), a 7th Air Force designou Olds para buscar uma solução para o problema. Daí surgiu a Operação Bolo.

A operação consistia em criar uma emboscada para atrair os MIG-21, voando os F-4C com as mesmas velocidades e nas mesmas rotas que os F-105, usando inclusive os mesmos callsigns. Tal missão foi um sucesso, tendo os F-4C abatido sete MIG-21, contra nenhuma perda de aeronaves americanas, tendo Olds, inclusive, abatido um MIG-21 com um AIM-9.

Robin Olds pinta a estrela vermelha após sua primeira vitória aérea na Guerra do Vietnã.

Outra missão parecida foi realizada no dia 6 de janeiro com o saldo de dois MIG-21 abatidos. A partir daí, a NVAF passou as próximas 10 semanas sem importunar as aeronaves americanas.

No dia 4 de abril, Olds viria a derrubar mais um MIG-21 sobre Phúc Yên e, duas semanas depois, obteve outras duas vitórias sobre os MIG-17, depois de um demorado combate aéreo, na qual seu ala foi abatido. Agora, Olds tinha 17 vitórias confirmadas, sendo 4 no Vietnã, se tornando um triplo ás.

Olds até poderia ter abatido muito mais aeronaves vietnamitas, mas, sabendo de uma orientação do Secretário da Força Aérea, Harold Brown, que o levaria de volta aos EUA com fins de publicidade, ele nunca obteve a 5° vitória.

Desta forma, permaneceu liderando seus homens nos diversos combates, mantendo regularmente seus voos, porém sem abater o inimigo. Seus empregos reais se limitaram ao lançamento de bombas contra alvos no solo.

Numa destas missões, Olds liderou um “trilento” (formação com 3 aeronaves) no dia 30 de março de 1967 num bombardeio a baixa altura. Após a missão, ele foi agraciado com a 4° Silver Star. Dias mais tarde, recebeu a Air Force Cross por uma missão de ataque a ponte de Paul Doumer em Hanoi.

Coronel Olds voou sua última missão no Vietnã em 23 de setembro de 1967, passando a contabilizar 259 missões de combate, sendo 107 na Segunda Guerra e 152 no Sudeste Asiático, tendo 105 delas sido sobre o Vietnã do Norte.

Seu F-4C Phanton “SCAT XXVII” foi aposentado do serviço posteriormente e atualmente se encontra em exposição no Museu Nacional da Força Aérea, na Base Aérea de Wright-Patterson, em Ohio.

O F-4C “SCAT XXVII” do Coronel Olds no museu Nacional da Força Aérea, na Base Aérea de Wright-Patterson, em Ohio.

O General Olds

General Robin Olds, quando no comando da Academia da Força Aérea Americana.

Após deixar o comando do 8th Tactical Fighter Group, Olds assumiu o comando da Academia da Força Aérea Americana, em Colorado Spring, Colorado. Permaneceu neste cargo por 3 anos, tendo procurado restaurar a moral dos cadetes, influenciando toda a escola com as suas histórias nas guerras.

Em 1968, foi promovido a General e em 1971 foi designado como Diretor de Segurança Aeroespacial, seu último papel na ativa.

Durante este tempo, trabalhou em programas de prevenção de acidentes e teve que lidar com o trabalho de educação na segurança de voo, na investigação de acidentes e na realização de inspeções de segurança, incluindo as unidades fora dos Estados Unidos.

Numa destas inspeções em 1971, Olds e sua equipe foram até as Bases Aéreas na Tailândia inspecionar as unidades que estavam lutando na Guerra do Vietnã, principalmente com relação ao estado de prontidão das tripulações.

Aproveitando a oportunidade de estar novamente na sua antiga unidade em Ubon, Olds voou, sem autorização, em algumas missões de guerra. A partir destes voos, levou alguns dados contundentes de volta para os Estados Unidos.

Após algumas brigas internas, principalmente em prol do treinamento dos pilotos de caça da USAF, que, na sua opinião, não estava sendo eficiente, inclusive levando as taxas de embates com os pilotos vietnamitas em 1 para 1, Olds tentou dar uma última cartada, oferecendo o seu rebaixamento para o posto de Coronel, em troca de poder voltar ao comando de alguma unidade aérea no Vietnã.

Como sua proposta não foi aceita, Olds decidiu ir para a reserva em 1 de junho de 1973.

Enfim, um descanso merecido

Robin Olds, num evento aeronáutico durante uma entrevista.

Durante sua aposentadoria, Robin Olds decidiu se dedicar à sua paixão por esqui. Assim, passou a viver na cidade de Steamboat Springs, Colorado.

Em julho de 2001, Olds foi agraciado com a nomeação para o Hall of Fame da National Aviation. Assim, se tornou a única pessoa a ser agraciada com a nomeação para 2 Halls of Fame, sendo o outro o Hall of Fame do College Football.

Em março de 2007, Olds foi hospitalizado em Colorado com complicações causadas por um câncer de próstata de nível 4. Infelizmente, na tarde de 14 de junho de 2007, o General Robin Olds veio a falecer, um mês antes de completar 85 anos de idade.

Durante seu sepultamento, Olds foi homenageado com sobrevoo de caças e foi agraciado com honras militares fúnebres prestadas pela Academia da Força Aérea Americana, onde suas cinzas foram depositadas.

Honras fúnebres para o General Robin Olds em junho de 2007.

O Dia do Bigode

Robin Olds e sua marca registrada, o famoso bigode.

Durante toda a sua carreira, Olds ficou conhecido principalmente por seu característico bigode que, naquele tempo, não era previsto na regulamentação da USAF.

O uso do bigode por pilotos tem suas origens na superstição de que ele protegia os aviadores nos combates, mas definitivamente, o bigode de Olds não tinha nada a ver com isso.

Olds começou a cultivar seu bigode enquanto era comandante da Wing no Vietnã. Ele dizia que “isto é como um dedo do meio que eu não posso levantar durante as sessões de fotografias. O bigode se tornou a minha silenciosa batalha verbal contra as regras dos quartéis-generais”.

Mas todos na Base Aérea de Ubon gostavam do seu bigode, o que fez com que muitos começassem a deixa crescer.

No entanto, quando do seu regresso aos EUA, o General John P. McConnell o interpelou e ordenou que ele retirasse o bigode, assim o fazendo. Mas seu legado já era conhecido. Todos os pilotos do 8th Tactical Fighter Wing já ostentavam seus próprios bigodes.

E não parou apenas no Sudeste Asiático. Atualmente, é adotou o “Mustache March” onde, no mês de março, todas as tripulações, mecânicos e outros militares espalhados pelo mundo deixam o bigode crescer como forma de homenagear o bigode mais famoso da Força Aérea do Estados Unidos.

Se você gostou das histórias sobre o General Robin Olds, elas estão mais completas na biografia escrita pela sua filha Cristina Olds. Vale a pena a leitura.

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